Comida de mãe: um dos segredos de Igor Amorelli para tentar vencer o Ironman Brasil

 

Entre um treino e outro, campeão de 2014 dá dicas para aspirantes a triatletas antes de disputar a prova no domingo, em Florianópolis

 

Primeiro brasileiro a vencer o Ironman Brasil, em 2014, o triatleta Igor Amorelli, que foi vice no ano passado, quer voltar a subir no lugar mais alto no pódio neste domingo (26/5), quando Florianópolis (SC) recebe a prova pelo 19º ano consecutivo. Cerca de 1500 triatletas de 38 países percorrerão os 3.8 km de natação, 180.2 km de ciclismo e 42.2 km de corrida no bairro de Jurerê Internacional, a partir das 6h45. No pelotão de elite, estarão nomes como os dos norte-americanos Timothy O'Donnell, que já ficou entre os cinco primeiros no mundial de Kona, no Havaí, e Andrew Potts, que ficou entre os 10 por três vezes.

 

Vencedor também da etapa de Maastricht, na Holanda, em 2016, Igor costuma treinar em Balneário Camboriú (SC), mas este ano passou um bom tempo em Mallorca, na Espanha. Nos últimos seis anos, disputou o mundial de Kona, sempre na elite, tendo ficado em 13º lugar em 2013 e em 14º em 2017.

 

Aos 34 anos, Kona é novamente o objetivo de Igor. Os três primeiros colocados garantem vaga para disputar a prova, que acontecerá no dia 12 de outubro. Entre um treino e outro, Igor conversou com o Eu Atleta, dando algumas orientações para quem quer começar ou crescer no mundo do triatlo. E deixou um aviso.

 

- Não tem que ser um super-homem para fazer o Ironman. Mas tem que ser quase um super-homem para aguentar os treinos.

 

Um passo de cada vez

 

Igor lembra que existem muitos formatos no triatlo, a maior parte deles com distâncias bem mais curtas do que as do Ironman. O Sprint, por exemplo, tem 750 m de natação, 20 km de ciclismo e 5 km de corrida. O Olímpico dobra cada uma dessas distâncias. O 70.3 abarca 1.9 km na água, 90 km na bicicleta e 21 km correndo, metade do Ironman. Por outro lado, o Ultraman é tão longo que precisa ser feito em três dias para que o atleta possa terminar os 10 km de natação, 421 km de ciclismo e 84 km de corrida.

 

- É fundamental que a pessoa procure um profissional, um treinador que possa orientá-la em todos os passos. O ideal é começar com as provas mais curtas e ir evoluindo até o Ironman, que é a que todo mundo quer fazer. Então essas são as dicas mais importantes: procurar um profissional e dar um passo de cada vez - ensina.

 

Começos

 

Segundo Igor, o atleta de triatlo geralmente vem de alguma das modalidades que o compõem. Mas há quem se anime a começar direto no esporte.

 

- Normalmente você já vem de uma ou outra modalidade, uma coisa leva à outra. Mas é possível começar no triatlo de uma vez. É até bom, porque você investe logo em três modalidades e pode alternar, para o dia a dia não ficar muito repetitivo no começo e te desgastar muito. É mais divertido - garante.

 

Comida de mãe

 

Igor recomenda comida caseira para evitar frituras e alimentos processados. No seu caso, a cozinheira não poderia ser melhor. Sua mãe, Marta Amorelli, está junto com ele, preparando todas as suas refeições nos dias que antecedem a prova.

 

- Tenho muito cuidado com alimentação perto de prova. Costumo fazer a minha própria comida em casa, não sou de comer fora. Normalmente sou bem tranquilo, flexível. Mas quando estou muito focado, evito comer besteira, fritura e doce e me preocupo em comer bastante legume e salada, para ter uma nutrição com todas as vitaminas de que meu corpo precisa. A gente também tem que comer bastante carboidrato e não pode esquecer a proteína – conta ele, que está em um apartamento com cozinha equipada em Florianópolis. - Minha mãe veio para me ajudar com a alimentação, continuo comendo o que estou acostumado.

 

No dia a dia, o triatleta costuma se alimentar de três em três horas, mas tem um esquema especial para a hora da competição.

 

– Durante a prova, tomo carboidrato em gel a cada 20 minutos ou meia hora.

 

Suplementos

 

Numa competição de cerca de oito horas, como o Ironman, a perda de calorias, líquidos e nutrientes é enorme. E são oito horas para homens como Igor, que tem 7h59min37s como seu melhor tempo, marcado em 2015. Atletas normais, que são a maioria, levam muito mais tempo, podendo chegar a 11, 12 horas para completar a prova. Por isso, hidratação e reposição de proteínas e carboidratos são fundamentais.

 

- A hidratação é extremamente importante. Suplementação também, principalmente tomar os carboidratos em gel durante os treinos e provas. Também uso um suplemento para recuperação pós-treino. Preciso repor carboidratos, proteínas, aminoácidos. Mas, se possível, o acompanhamento de um nutricionista é indicado para que essa suplementação seja feita de forma correta, de acordo com a pessoa e a prova.

 

Sol e chuva

 

Outro cuidado é com o sol. Triatlo, afinal, é uma atividade ao ar livre, sujeita às condições climáticas.

 

- Tem que passar protetor solar que resista à água, porque a gente transpira muito e ele fica saindo. Nos treinos, se possível, é bom evitar os horários de muito calor. Mas não tem como fugir do sol. Tem que ir para rua treinar.

 

Treinos

 

A rotina de Igor geralmente inclui pedalada e corrida pela manhã, natação à tarde e, depois de tudo, um trabalho de alongamento e musculação. São muitas horas diárias, num ritmo pesado.

 

- Para fazer um Ironman, não tem que ter talento especial nenhum, só tem que ter muita vontade. Tem que ser um cara muito regrado também, tem que estar focado. Os treinos são a parte mais difícil. A prova, qualquer pessoa pode fazer. Mas só depois de se preparar muito – diz ele, ressaltando que os atletas do pelotão de elite têm uma carga de treinos ainda mais exaustiva.

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