Recordista brasileiro, ciclista começa em Roraima trajeto que cortará 27 capitais em até 120 dias

 

Valdeni Pinheiro Alves saiu de Boa Vista no domingo (5) e pretende encerrar trajeto de 17 mil km em Campo Grande-MS, em até 120 dias. Ao fim da jornada, sua bicicleta será sorteada em rifa

 

Pela 5ª vez, o autônomo amazonense Valdeni Pinheiro Alves, 40, atravessa o Brasil sobre duas rodas. Dono da mais rápida volta de bicicleta pelas 27 capitais brasileiras (21 mil km em 226 dias), o ciclista decidiu começar no extremo Norte do país mais um desafio. Alves saiu de Boa Vista na madrugada de domingo (5) e pretende finalizar a jornada em Campo Grande-MS, em até 120 dias.

Além da disposição para percorrer mais de 17 mil km, ele leva em sua bicicleta dois conjuntos de roupa, ferramentas para manutenção e kits de higiene. Ao fim da jornada, o amazonense sorteará o veículo em uma rifa, cujo bilhete vende a R$ 10 por onde passa.

 

Além do dinheiro das rifas, Alves se mantém com a doação de refeições. Ao fim de um dia, ele costuma dormir em postos de gasolina, onde aproveita para trocar de roupa e tomar banho.

 

- O bem mais precioso que eu ganhei nessas voltas pelo Brasil foi o carinho das pessoas e a felicidade da minha mãe. Sou mais bem tratado que mal tratado. O brasileiro é muito solidário. Pessoas ruins sempre vão ter, mas há muitas pessoas boas que oferecerem um copo d’água, uma refeição - contou.

 

 

Pedalar pelo Brasil foi a forma que o amazonense encontrou de orgulhar a mãe, depois de ser preso diversas vezes, acusado de tráfico de drogas e furto. Alves encarou o “mundo errado” como lição, comprou uma bicicleta e começou em 2008, em Vilhena-RO, o primeiro trajeto, que cortou 16 estados. O veículo, inclusive, está na Casa de Plácido, que acolhe devotos de Nossa Senhora de Nazaré, assim como o ciclista.

 

Em 2012, ele tornou-se recordista brasileiro com 21 mil km percorridos em 232 dias. A marca foi superada em 2017 por ele mesmo, que finalizou o percurso em 226 dias. Valdeni Alves, então, atingira o objetivo de alegrar a mãe e, de quebra, tornava-se o “Gigante das BRs”.

 

- Acabei me apaixonando pelo ciclismo, entrei no livro dos recordes e dei esse presente para a minha mãe. Hoje ela tem orgulho, ela apoia. Em vez de eu estar lá no mundo errado, eu estou aqui, pedalando, levando incentivo para outras pessoas. Me sinto muito feliz em também levar incentivo para saírem do sedentarismo - destacou.

 

As jornadas, segundo ele, também são apoiadas pela esposa, outra responsável por seu abandono do “mundo errado”.

 

- No fundo, ela pensa que o que eu estou fazendo é coisa boa - disse.

 

Os riscos da jornada

 

Se aventurar de Norte a Sul do Brasil pode ser um risco. Valdeni Pinheiro, que conheceu rodovias em boas e más condições, disse que as sem acostamento são as mais perigosas (pelo pouco espaço que tem para dividir com os caminhões) e relembrou do acidente sofrido em 2012, na Avenida Brasil, uma das principais do Rio de Janeiro.

 

- O caminhão me jogou para fora, mas creio que não foi intenção do motorista. Tem região que venta demais, o carro joga a gente assim. Quem me prestou socorro foi outro carro que saiu me arrastando na bicicleta. Graças a Deus, só ralei a perna - rememorou.

 

'Embaixador da paz'

 

Valdeni Pinheiro recebeu a placa de honra ao mérito “Embaixador da Paz” da Federação para a Paz Universal em Natal-RN. Emocionou-se ao lembrar que, na comenda, foram estampados o seu nome e o da mãe, da qual passará mais um Dia das Mães distante.

 

- Queria tanto que ela tivesse lá, naquele momento, para ver de perto. Nunca imaginei receber isso. Tudo isso é pouco para o que ela merece, mas é pra ela ter orgulho. Em vez de eu estar lá no mundo errado, eu estou fazendo coisas boas, colhendo bons frutos - destacou.

 

‘Pedalar pelo Brasil me lembra a infância’

 

As pedaladas de Valdeni, certa vez, o levaram a um seringal no Espírito Santo, o que fez ele relembrar da infância no seringal, em Humaitá-AM, sua cidade natal. Ele admitiu se emocionar ao ver crianças brincando às margens das rodovias, o que o leva ao arrependimento dos delitos que cometeu no passado.

 

- Carreguei muita borracha. A gente juntava as seringas para vender. Quando passei em um seringal lá no Espírito Santo, me emocionei por lembrar da infância - meu pai viveu no seringal com minha mãe. A gente volta ao fundo do baú. Vendo crianças brincando, lembro de quantas vezes tirei o pão de crianças, quando os pais saíam para fazer compras e eu chegava para tomar o que a família tinha. Graças a Deus, isso acabou - explicou.

 

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