Morte súbita: por que jovens aparentemente sadios sofrem paradas cardíacas?

 

Doenças genéticas, infecções e uso de drogas lícitas e ilícitas estão entre as principais causas

 

A imagem de uma pessoa tendo um mal súbito do nada, enquanto caminha ou corre, não é frequente e sempre choca, principalmente quando ficamos sabendo do seu final, a morte súbita. A medicina pode explicar um fato tão grave e triste?

 

As evidências científicas das causas de mortes de jovens aparentemente sadios passam por algumas hipóteses aceitas. Todas as mortes súbitas de jovens com menos de 35 anos têm como primeira causa possível alguma doença cardíaca genética ou congênita; em segundo lugar, as doenças infecciosas, sendo as mais comuns decorrentes de alguns tipos de viroses que afetam pessoas, que por alguma razão, têm baixa imunidade, por excessos de desgastes físicos, doenças graves ou outros motivos.

 

Nos esportes, como em algumas outras profissões que exigem bom desempenho e ótima condição física, não devemos excluir o possível uso indevido de substâncias lícitas, usadas sem indicação para um tratamento médico, como os esteroides anabolizantes e outros hormônios: DHEA, o de crescimento (GH) e mesmo o de tireoide, com finalidades estéticas ou de emagrecimento, sem ter sido receitados para tratamento de distúrbios hormonais. As ilícitas, ou seja, as proibidas, como os termogênicos e drogas entorpecentes (maconha, cocaína, ecstasy e outras semelhantes) também são frequentes causas de sérios problemas cardíacos.

 

Como acontece a morte súbita? O uso dessas substâncias e a presença de algumas doenças genéticas provocam uma arritmia grave, seguida de parada cardíaca. Quem assiste a uma situação dessas tem a impressão de que alguém puxou a tomada, pois a pessoa cai ao solo sem nenhum movimento de defesa, como o de se proteger com membros superiores, quase sempre batendo com o rosto no chão. Essas doenças podem cursar sem sintomas por muitos anos e o único modo de descobri-las é através de consulta médica e exames como eletrocardiograma, gravador do eletrocardiograma por 24 horas, Holter e outros que o cardiologista costuma solicitar para obter o diagnóstico exato e propor o tratamento possível.

 

Para o atendimento a uma parada cardíaca, é fundamental que se inicie a massagem cardíaca no local, com uso de desfibrilador externo, até ocorrer a recuperação. A chance de sucesso fora do hospital chega a 10% se as manobras de ressuscitação (massagem e desfibrilador) forem iniciadas de imediato, em até três minutos. Só se deve transportar a vítima quando ela estiver estabilizada do ponto de vista médico.

 

*As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Globoesporte.com / EuAtleta.com.

 

Formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715, Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. (Foto: EuAtleta)

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