Serra do Rio do Rastro: subindo a 20ª mais difícil do Brasil

 

Serra do Rio do Rastro de Bike – o ano era 2013. Eu, como já contei diversas vezes no blog, morava na longínqua Romênia. Naquele ano tinham me mostrado um artigo numa revista (que já não me recordo o nome) sobre algumas das estradas mais incríveis do mundo.

 

A lista continha estradas realmente magníficas, algumas de subidas com curvas que pareciam só ser possíveis em vídeo games. Duas delas em especial me chamaram muito a atenção.

 

O destaque da reportagem era logicamente uma estrada romena, que é realmente de tirar o fôlego, chamada Transfăgărășan (lê-se Trans fã gã rã cham):

 

Eu infelizmente não tive a chance de pedalar por essa subida no 1 ano e meio que morei lá. No entanto, outra subida me chamou muito a atenção. Uma que eu até então não conhecia e ficava bem aqui no Brasil.

 

Era a estrada catarinense da Serra do Rio do Rastro:

 

Absolutamente espetacular na foto. Ainda mais espetacular em vídeo:

 

A ideia de subi-la de bike fica no imaginário de muito ciclista e comigo não foi diferente. Mas como ir? Lauro Müller, cidade onde a estrada da Serra do Rio do Rastro se localiza, fica a nada menos que 1000 quilômetros de onde moro…

 

Até que certo dia, em Maio de 18, encontrei Carlinhos.

 

Carlinhos é uma figurassa e organiza vários pedais aqui em Atibaia. Ele me fez o convite: “estamos indo para a Serra do Rio do Rastro em Novembro. Quer ir junto?”.

 

“Com certeza” foi a resposta. E 6 longos meses se passariam até o o final de semana do dia 11 de novembro, quando nós, 13 ciclistas mais acompanhantes, fossemos para Santa Catarina.

 

Mas o dia chegou.

 

Destino: Lauro Müller

 

Saímos de Atibaia-SP com nossas bicicletas todas carregadas na van do Girão. Ele tem o carro onde todos nós coubemos e uma carreta para levar as bikes.

 

Na noite da sexta feira dia 09 aprontamos as bikes na carreta e  antes da meia noite estávamos na longa estrada que nos levaria para a cidade de Lauro Müller. Tínhamos que chegar lá até o 17h de sábado para poder retirar os kits da inscrição.

 

Depois de revezamento de motorista, muita farra na van, pouquíssimo sono e 14 horas, chegamos até o ginásio municipal da cidade em Santa Catarina. Lá a organização distribuia os kits e patrocinadores expunham seus produtos.

 

Destaque para as bikes gravel Soul Spry e BMC Granfondo que estavam na frente do ginásio. Um parênteses para reforçar o que venho dizendo: as Gravel Bikes vão explodir no Brasil em 2019 e 2020.

 

Passamos para almoçar e seguimos para Urussanga, cidade onde ficaríamos hospedados. As bikes estavam todas emporcalhadas das muitas horas de viagem sob forte chuva, então ainda tivemos que dar um trato nelas.

 

Alguns não se contentaram com o pano úmido e foram num posto de gasolina lavar a bike pra valer. Eu me contentei – e me animei – com o estado semi-limpo dela e em dormir antes das 10h da noite.

 

O grande dia

 

Acordamos às 03h30 da manhã para tomar café. O hotel estava lotado com ciclistas então a atmosfera no refeitório já era contagiante, deixando claro que a prova tinha tomado conta da região.

 

Partimos de Urussanga e chegamos em Lauro Müller às 6 e pouco. Tiramos algumas fotos, aquecemos e logo fomos para a sessão da largada de cada uma das categorias.

 

Mulheres, tanto de mountain bike como de speed, largariam primeiro. Pouco depois sairiam as categorias masculinas de Mountain Bike. Por fim, as categorias masculinas de Speed.

 

E essa foi também uma das partes mais interessantes da subida da Serra do Rio do Rastro. Eu fui de Gravel Bike.

 

Corri na categoria sub-30 da Speed. Mais fácil me enquadrar com o guidão drop na speed que com os pneus com cravo na categoria MTB.

 

O Desafio da Serra do Rio do Rastro

 

Minha cara diz: “como seria animal se a subida toda fosse nesse terreno” haha.

 

Dada a largada, passamos por vários quilômetros de planos, falso planos, subidas leves e descidas. A subida propriamente dita começa quase 10 quilômetros depois do início da prova e aí não dá mais trégua.

 

Passei por mais ciclistas que sempre faziam a mesma cara de “mas o que será essa bicicleta?”

 

Daí em diante o pelotão começou a ser pulverizado. Eu já começava a encontrar várias das mountain bikes que tinham largado antes e muitas das speeds que “queimaram largada” e já sentiam o ritmo da subida.

 

Sabia que ainda tinha mais de 1 hora de prova e que a subida da Serra do Rio do Rastro não dá trégua. Busquei manter meus batimentos cardíacos entre 170 BPM (85%) e 180 BPM (90%) até  quilômetro final, onde poderia entrar no vermelho.

 

Eu realmente não estava competindo com ninguém, mas queira dar o meu melhor.

 

Os últimos 7km da subida são já num chão de concreto e alí a coisa fica bem feia. Vários trechos acima de 10% e, por conta das quedas d’água na beira da estrada, várias partes escorregadias.

 

Nesse momento já não estava passando mais ninguém e também não era mais passado. Parecia que os ciclistas tinham encontrado o ritmo que levariam até o fim da prova.

 

As vistas, que já eram de tirar o fôlego, ficaram ainda mais maravilhosas nesse trecho e era muito difícil não parar para fotografar. Ficava com a consciência leve de saber que a organização estava fazendo isso por nós.

 

O último quilômetro é praticamente plano e já se está com a vista do vale que percorremos à direita. Na chegada eu realmente não tinha força para dar mais de mim e então sabia que tinha levado meu esforço de forma correta até lá em cima.

 

A premiação e a descida

 

Achei que cerimônia de premiação foi um pouco desorganizada. O pódio ficava muito próximo da área de frutas e hidratação, numa faixa bem estreita do estacionamento e com pouquíssimo espaço para os ciclistas.

 

Mas isso pouco importava. Até porque 3 ciclistas que vieram no grupo de Atibaia pegaram pódio!!

 

O grande campeão entre os homens foi Gilson Castro Filho, com o tempo de 01h 07m 38s. Já entre as mulheres o título ficou com Karoline Meyer, tendo completado em 01h 28m 17s.

 

Meu tempo: 01h 48m 55s.

 

Ficamos lá até 10 e pouco, quando nos reunimos para a descida, que é simplesmente espetacular e de tirar o fôlego. Descemos os pouco mais de 14km da Serra do Rio do Rastro com um visual incrível ao nosso lado.

 

Chegando na base, Girão, o motorista e dono da van, já nos esperava. Colocamos todas as bikes na carreta, voltamos para o hotel para tomar banho e lá estávamos nós de volta para os outros 1000km de estrada até Atibaia.

 

O que você precisa saber se quiser subir a Serra do Rio do Rastro

 

Se você quiser fazer a subida da Serra do Rio do Rastro de Bicicleta, eu tenho aqui algumas recomendações, dicas e informações que podem ser valiosíssimas para você:

 

1- Percorra a Serra no Desafio oficial

 

Subir a serra no Desafio da Serra do Rio do Rastro vai permitir que você suba com o tráfego todo fechado para ciclistas.

 

Não importa se você vai a passeio ou a competição, mas acho que sera 90% menos legal ter subido tudo aquilo lá com um monte de caminhão e carro passando do nosso lado.

 

A inscrição antecipada é R$150 mas vale cada centavo. Você ganhará uma camisa muito massa, brindes de patrocinadores, alimentação e água na subida e a medalha. Vale a pena!

 

A prova acontece duas vezes ao ano, em março e novembro, e o site é o www.sistime.com.br.

 
2- Se você for de longe…
 

… eu sugiro que você considere uma das duas opções:

  • Que você vá de avião até Criciuma. A viagem até lá é muito desgastante e nós subimos a Serra do Rio do Rastro bastante cansados por conta das longas horas na van e as poucas horas de sono.

  • Que se for de carro, não faça tudo num final de semana só. É extremamente cansativo e você acaba nem aproveitando tudo que a região (maravilhosa) oferece.

3- Reserve pousada com muita antecedência
 

Como disse, nós nem estávamos em Lauro Müller. A cidade foi Urussanga. A região toda fica entupida de ciclistas, familiares, patrocinadores e outros envolvidos no evento.

 

Nós reservamos o hotel com 6 meses de antecedência.

 
4- A Serra do Rio do Rastro é a 20ª mais difícil do Brasil.

 

Esse é um detalhe super legal. A Serra do Rio do Rastro é a 20ª mais difícil do país.

 

Como eu sei disso e quais são as outras subidas? Bem, isso está tudo no Guia das 100 Subidas Mais Difíceis do Brasil que, além de contar quais são elas, também explica como chegar, com qual bike subir, dicas de cicloturismo na região e muito mais.

 

5- Se possível, vá de galera

 

Nossa turma foi parte central da viagem, em minha opinião. A gente se divertiu o caminho inteiro, compartilhou a subida, comentou um monte depois sobre a prova.

 

Fazer a subida acompanhado foi muito legal e recomendo que, se você puder, faça assim também.

 

No mais, a Serra do Rio do Rastro é espetacular e faz jus à sua fama. As vistas são absolutamente indescritíveis, a subida é maravilhosa e a organização fez um ótimo evento.

 

Abraços e bons pedais!

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