Bikemagazine conferiu: Campos do Jordão, paraíso do MTB

 

 

Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira paulista, é um paraíso do mountain bike com muitos caminhos a serem explorados de bicicleta. A cidade, terra-natal de atletas consagrados como a multicampeã brasileira Adriana Nascimento, Erivan Arcanjo de Lima e Patrícia Loureiro, além de pilotos de BMX, conta com mais de 40 trilhas em seu Plano Diretor, mas o mapeamento ainda aguarda implementação.

 

Quem é dali garante que há muito mais e sai para pedalar todos os dias sem repetir caminhos. A cidade, que tem turismo sazonal e é destino tradicional na temporada de inverno, tem tudo para se transformar na “capital do ciclismo” e virar viagem obrigatória para praticantes de mountain bike e outras modalidades com bicicleta durante o ano todo.

 

O mercado do turismo começou a se movimentar e os bikers já contam, por exemplo, com hotel temático e um parque para treinar, mas muito mais pode acontecer. Nesta temporada, o L’Étape foi em Campos do Jordão e muitos empresários puderam comprovar o potencial do segmento. Conversas para tornar a cidade mais amigável para os ciclistas, com a recuperação e quem sabe ampliação de sua ciclovia, já começaram.

 

Entre os que defendem a recuperação das ciclovias está o arquiteto Jayme Alves Filho, que começou o projeto do Bike Ville (www.bikevillemtb.com.br), uma pousada especialmente idealizada para receber cicloturistas, há três anos.

 

Credenciado para hospedar peregrinos do Caminho da Fé, equipou o hotel com bicicletário, bike wash e ferramentas, usou objetos temáticos para decorar os chalés, com capacidade máxima de 40 hóspedes, e criou um “cardápio de trilhas” para oferecer aos visitantes. “Com as ciclovias recuperadas e mapeadas, elas poderiam se tornar referência como ponto de partida das trilhas, por exemplo”, explica.

 

Atleta de mountain bike, Jayme Alves Filho nasceu em Campos do Jordão e pedala desde a infância. Hoje integra o Comitê de Turismo da cidade e preside a Associação de Ciclismo de Campos do Jordão, que reúne 170 membros. Sua rotina incluiu longas pedaladas pelas mais diversas trilhas da Mantiqueira e sua motivação é preservar o cenário, deixar as trilhas limpas e se divertir. Seu “cardápio de trilhas”, aliás, foi testado e aprovado em diversas ocasiões, tanto por amadores quanto pelos atletas que frequentam a pousada Bike Ville.

 

O simpático e hospitaleiro arquiteto sabe o que fala quando o assunto é mountain bike. Com duas participações na ultramaratona Cape Epic, na África do Sul, em 2009 e 2014, e três vezes na ultramaratona Brasil Ride, na Bahia, em 2010, 2014 e 2016, além de provas como Iron Biker, entre outras, Jayme Alves Filho guarda suas medalhas, numerais e outras lembranças no bicicletário do Bike Ville e está sempre à disposição para trocar ideias.

 

“Das 43 trilhas do Plano Diretor, há pelo menos dez trilhas em áreas de mata prontas, mas é preciso mapear, sinalizar e conservar”, afirma.

 

A região também é propícia para ciclistas de estrada e é famosa pela “Volta da Padaria”, além de outros roteiros, como o rolé até o Pico do Itapeva, por asfalto, de onde se avista todo o Vale do Paraíba.

 

O guia Donizeti Silva, o “Pipoca”, é parceiro de bike de Jayme Alves Filho e hoje vive das bicicletas. Como “personal biker”, recebe turistas interessados nas trilhas e sai para pedalar e guiar grupos todos os finais de semana. Formado em hotelaria e turismo, “Pipoca” gosta de dizer que seu trabalho é “pedalar”. “Tiro toda a minha renda das bicicletas e considero a Serra da Mantiqueira o lugar mais top que tem no Brasil para a prática do mountain bike”, afirma.

 

“Grandes campeões usam a região para treinar e eu me sinto privilegiado de ter tudo isso à disposição”, continua o guia, que pratica mountain bike desde os primórdios. “Passei por todas as bicicletas, comecei no MTB em 1989/1990. Hoje está tudo mais acessível e há muitas provas também”, diz.

 

“Pipoca” guiou a reportagem do Bikemagazine por algumas das trilhas que percorre com os turistas. “A Três Matas, que foi as primeira, eu considero bonita, perto da cidade, de fácil acesso e com bons single tracks”, avalia.

 

Todos os níveis
 

Além da trilha das Três Matas, “Pipoca” nos acompanhou também na trilha Casa Redonda, acessível desde o Bike Ville pelo bairro Alto do Capivari. Campos do Jordão e toda a região ao redor oferecem inúmeras trilhas, para todos os níveis técnicos e gostos. Existem roteiros para iniciantes e para ciclistas mais experientes. “Tenho clientela de todo tipo. Desde casais e famílias que procuram lazer e diversão, até atletas que vêm para cá para fazerem training camp para preparação para a Cape Epic, Brasil Ride, Iron Biker e provas do tipo Gran Fondo na Europa”, garante o guia.

 

Profundo conhecedor da região, “Pipoca” tem curso de socorrista e está sempre preparado para eventuais surpresas. Em caso de necessidade, basta um telefonema para que o Jayme da Pousada Bike Villle envie uma caminhonete 4×4 para resgate. “Aqui na montanha, o clima pode mudar rapidamente. O suporte também é útil no caso de quebras mecânicas ou outros imprevistos”, explica. “Pipoca” atende grupos de até seis ciclistas e também atua como guia individual. O agendamento pode ser feito pelo WhatsApp (12) 98110-7692.

 

Bike Parque
 

O Zoom Bike Park (zoombikepark.com.br), inaugurado há três anos em Campos do Jordão, tem sido parada obrigatória para os turistas que buscam uma experiência nova no mountain bike. Criado por Márcio Prado, que teve a ideia de montar o parque depois de conhecer e pedalar em parques nos Estados Unidos e Canadá, o Zoom conta hoje com 19 trilhas e 35km de single tracks, para todos os níveis de praticantes.

 

O parque tem padrão internacional e segue a cartilha da IMBA (International Mountain Bicycling Association). Antes de ingressar nas trilhas, todo visitante passa por um briefing em frente a um mapa gigante e recebe todas as orientações de segurança e sobre como funciona a sinalização das trilhas. O visitante preenche um formulário com os dados pessoais e recebe um cartão de controle que é fixado na bicicleta, que serve como controle e tem um telefone para casos de emergência. Márcio é socorrista e está sempre atento ao movimento.

 

O ciclista é orientado a começar pelas mais fáceis (são quatro níveis de dificuldade) e ir avançando progressivamente. A diversão é garantida em todas elas.

 

O ciclista vai encontrar trilhas bem construídas e muito bem cuidadas. As atrações incluem pontes suspensas, single tracks na mata fechada, curvas de madeira e muito visual a partir dos pontos culminantes do parque.

 

Para encarar as trilhas, o visitante pode usar sua própria bike ou alugar uma no próprio parque. Há dois modelos Specialized, a Rockhopper Comp e a Stumpjumper FSR Comp Carbon, além de uma opção de mountain bike elétrica modelo Levo FSR Comp Carbon, como motor de 250W. “Há quem traga a sua própria bike e depois de aproveitar o parque, alugue a elétrica para ver como é pedalar com assistência do motor. Todo mundo gosta!”, garante o empresário.

 

Os preços variam conforme a opção de bike, as horas e há ainda a opção de se tornar um sócio e poder usar as trilhas todos os dias do ano por R$ 365. “Fazemos reserva, agendamento e cobramos por hora ou sob demanda”, explica.

 

O local funciona de sexta, sábados, domingos e feriados. Nos demais dias é necessário agendar a visita.

 

Márcio Prado, que é de São Paulo, mudou-se para Campos do Jordão em 1994 e, depois de negócios com informática, trocou de ramo e abriu uma empresa de ecoturismo e turismo de aventura. Antes do Zoom atual, teve uma experiência anterior, que o ensinou bastante. “O primeiro local tinha problemas com o acesso e depois foi arrendado e tive que sair”, lembra.

 

Convidado a retomar o projeto em uma nova área, começou a elaborar novas trilhas “do zero”. “Com os livros da IMBA aprendi sobre manejo de trilhas e também sobre outros assuntos relacionados”, conta Prado, que também usou como referência os sistemas públicos de trilhas dos parques norte-americanos e suas duas visitas a Whistler, e ao Coast Gravity Park, ambos no Canadá.

 

“Hoje no Zoom temos muitas trilhas fáceis, algumas intermediárias e poucas difíceis”, completa. 

 

Boa mesa
 

Campos do Jordão é um destino turístico tradicional e está muito bem preparada para receber seus visitantes, com diversas opções de hotéis e hospedagens. A oferta de restaurantes, bares e cervejarias é bastante diversificada e as atrações locais são muitas.

 

Durante nossa visita conhecemos a novidade da temporada no centro do Capivari, o bairro mais badalado de Campos do Jordão, o  Esquina do Djalma, inaugurado no final de junho, com uma comida de boteco das mais elogiadas. 

 

Depois da primeira trilha, o almoço foi no Restaurante Dona Chica, no Horto Florestal, onde conhecemos o tomate de árvore, uma delícia de surpresa da serra, e nos dividimos entre generosas porções de truta e leitoa, com arroz, feijão e farofa de pinhão. 

 

No jantar conhecemos o sofisticado Le Foyer, dentro do Chateau La Villete, e degustamos o “prato típico” das noites frias de Campos do Jordão, a receita suíça fondue, nas versões de queijo, de carne e de chocolate. Integrante da associação Cozinha da Boa Lembrança, a decoração reúne os pratos coloridos do projeto que elege as melhores receitas dos melhores restaurantes anualmente.

 

No dia seguinte, depois de mais uma trilha, conhecemos o Fazendinha Toriba e o Hotel Toriba, com seus belos jardins. Um dos mais tradicionais da cidade, o hotel foi inaugurado nos anos 1940 e trouxe o estilo alpino para a cidade no alto da Serra da Mantiqueira, que passou a ser chamada de “Suíça brasileira”.

 

 

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