Estudos mostram que sede não é bom indicador de reidratação adequada

Apesar de parecer óbvio, nem sempre a vontade de beber líquidos é um procedimento que atende à necessidade fisiológica de reposição hídrica do organismo

 

Com a chegada de dias mais quentes, o problema da hidratação durante o exercício volta a ser uma questão sempre pertinente. Em relação à esse assunto, existe uma pergunta que compreende uma antiga controvérsia sempre resgatada : hidratar-se de acordo com a sede é um procedimento que atende à necessidade fisiológica de reposição de líquidos ? Apesar da resposta parecer óbvia, a discussão deste assunto merece uma consideração mais cuidadosa.

 

A sede é uma sensação originada por dois diferentes mecanismos. Um deles diz respeito ao aumento da concentração osmótica do sangue, e o outro decorre da redução do volume líquido dos fluidos corporais. Nos dois casos, fica claro que sentimos sede quando já estamos com um déficit hídrico. Em outras palavras, já estamos “correndo atrás do prejuízo”

 

Outro ponto importante é que existem várias comprovações científicas mostrando que durante um exercício físico com perda importante de suor, saciamos a sede ingerindo volumes menores que o necessário para repor a perda total. Um estudo, publicado no Journal Applied of Physiology, que pode ser considerado uma referência na área, mostrou que quando corredores de longa distância eram liberados para beber tanto líquido quanto desejavam em provas de longa duração, os mesmos terminavam a corrida com ingestão líquida de metade do volume perdido pelo suor.

 

Estes dados sugerem a necessidade de uma reposição líquida programada para evitar a desidratação, particularmente em provas longas em ambientes quentes. A programação da reidratação deve ter como base um conhecimento prévio da taxa de sudorese esperada para a prova, conhecimento que pode ser obtido em treinamentos com uma simples pesagem pré e pós. A evidência, portanto é de que a sede não é um bom indicador da reidratação adequada.

 

*As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Globoesporte.com / EuAtleta.com.

 

Mestre e Doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do E.C. Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com. (Foto: EuAtleta)

 

 

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