Paratleta tem prejuízo de R$ 85 mil em equipamentos quebrados durante voos

October 1, 2018

Equipamentos danificados podem prejudicar disputa por vaga em Tóquio 2020 da atual campeã brasileira de paratriathlon

 

 

No início do mês a paratleta brasileira de triathlon Jéssica Messali embarcou à Austrália para disputar a ITU World Triathlon Grand Final Gold Coast na categoria feminina PTWC, voltada para usuários de cadeiras de roda. Tanto na ida como na volta, Jéssica enfrentou problemas nos voos quanto ao transporte de sua cadeira de rodas e sua handbike, utilizada na etapa de ciclismo.

 

De acordo com a paratleta, os dois equipamentos foram danificados pelas companhias aéreas Air New Zeland e Ethiopian Airlines, com um prejuízo de até R$ 85 mil.

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Os problemas começaram após o primeiro voo, no dia 7 de setembro, quando Jéssica foi de Guarulhos a Buenos Aires pela Aerolíneas Argentinas. Chegando na Argentina, recebeu a informação de que a cadeira de rodas dela iria direto para o destino final, na Austrália. Jéssica havia solicitado que a cadeira viajasse na porta do avião para facilitar a saída dela no desembarque. Em contrapartida, a companhia a ofereceu uma cadeira de rodas emprestada.

 

Jéssica relatou ao portal de notícias UOL que a cadeira de rodas fornecida pela companhia “parecia um carrinho de bebê, que alguém tem que empurrar, e não tinha como eu me movimentar”. A atleta tem uma lesão medular e, com a cadeira ruim, não conseguia se movimentar até o banheiro. A atleta teve que utilizar fraldas durante o voo.

 

Quando chegou na Austrália, Jéssica viu que sua cadeira de rodas – feita sob medida, importada e que custa R$ 35 mil, estava danificada. “Eles falaram que iam localizar as peças que faltavam e que me enviariam no dia seguinte. Cheguei no alojamento com a cadeira ‘trambolho’, vimos que não tinha mobilidade nenhuma, e eu não conseguia andar sozinha com aquela cadeira” relatou Jéssica.

 

Com a cadeira improvisada, Jéssica fez a prova, mas acabou sendo prejudicada no tempo de transição e terminou na nona colocação de sua categoria.

 

Handbike quebrada 

 

Ao retornar ao Brasil, em 16 de setembro, um novo problema ocorreu. No aeroporto de Guarulhos, Jéssica viu um funcionário do aeroporto carregando sua handbike. A paratleta pediu para o funcionário parar quando notou que o carbono da parte traseira da handbike estava destruída.

 

A handbike logo passou por um laudo que indicou que algo de uma tonelada foi colocado em cima do equipamento, forçando o para-choque traseiro, o que fez quebrar. Uma funcionária da Ethiopian Airlines falou para Jéssica que a responsabilidade era da Air New Zealand, e a colocou como responsável por qualquer coisa que acontecesse com os equipamentos. O preço da handbike é de R$ 50 mil.

 

As companhias aéreas Ethiopian Airlines, Air New Zeleand, Aerolíneas Argentinas foram questionadas pelo portal UOL.

 

A Ethiopian Airlines afirmou que a passageira reportou uma avaria em sua bicicleta, mas, ao apresentar o documento de despacho da mesma, efetuado pela empresa Air New Zeleand, foi verificado que era uma etiqueta limited release. Isto é, ao assinar o documento, a passageira assume qualquer tipo de dano que possa ser verificado no equipamento e não responsabiliza a companhia aérea por qualquer dano que ocorra.

 

Já a Air New Zealand disse que está “lidando com a reclamação diretamente com a passageira de acordo com as políticas da empresa e de acordo com a legislação”. E a Aerolíneas Argentinas responsabilizou a Air New Zealand, já que foi ela quem fez o primeiro formulário de reclamação, e afirmou: “não podemos saber o que aconteceu em todas as conexões.”

 

Resolução e provas futuras
 

Jéssica vive profissionalmente como paratleta de triatlhon e já colocou advogados para cuidarem do caso. A atleta planeja disputar as Copas do Mundo em Sarasota (Estados Unidos) e Madeira (Portugal) nos dias 14 e 27 de outubro, respectivamente, mas ainda não sabe se conseguirá competir. Jéssica é a atual campeã brasileira e 13ª do ranking mundial. Seu grande objetivo são os Jogos Paralímpicos de Tóquio, em 2020, quando a categoria dela (PTWU) será disputada pela primeira vez no feminino em uma Paralimpíada. Mas para conseguir uma vaga, ela precisa disputar outros torneios internacionais.

 

 

 

 

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