Brasileiro é bronze na maior ultramaratona de ciclismo do mundo

Marcelo Florentino Soares atravessou a Rússia percorrendo mais de 9.000km em 25 dias

 

 

Após o fim da Copa do Mundo de 2018, as pedaladas que estamos acostumados a ver em campo ganharam um novo sentido na Rússia com a disputa da quarta edição da Red Bull Trans Siberian Extreme, a prova de ciclismo por etapas mais longa do mundo, que teve início no dia 24 de julho e terminou na última sexta-feira. Porém, diferentemente da performance brasileira nos gramados, o Brasil ficou entre os melhores na bike.

 

Marcelo Florentino Soares, mais conhecido como "Mixirica", levou a medalha de bronze pela terceira vez ao percorrer os 9.103km, entre Moscou e Vladivostok, em 25 dias de competição com uma média de 26,9km. O evento foi dividido em 15 etapas com distâncias entre 260km e 1.372km e passou por oito fusos horários e cinco zonas climáticas diferentes. Além de Marcelo, participaram mais cinco atletas da Rússia, Alemanha, Dinamarca, Espanha e Índia. O vencedor foi Pierre Bischoff, com 315h45min26seg. Marcelo terminou com a marca de 346h26min.

 

- Todas as etapas desta competição são difíceis. Não tem moleza. Em todas você apanha. Mesmo nas etapas mais curtas. Os outros ciclistas são mais novos e estavam com muita velocidade, o que me destruiu. No início a briga estava bem acirrada, mas, chegando na metade, as posições foram se definindo e aí ficou mais tranquilo. A briga forte mesmo este ano foi com as estradas e com o clima. Fazia muito frio e pegamos muita chuva. O trânsito também é muito louco, com caminhões passando perto, estradas em reforma, com longos trechos de terra e pedra, que furavam o pneu - disse o ciclista.

 

Nas quatro edições da Red Bull Trans Siberian Extreme, apenas 10 atletas conseguiram chegar ao final, e Mixirica é o único que fez isso três vezes. Ele também ficou com a terceira colocação em 2016 e 2017.

 

Caminho difícil até a Rússia

 

Apesar dos grandes resultados nos últimos anos, sua estrada até a competição não foi fácil. Sem patrocínio e quase sem apoio, o paulistano de 46 anos foi para a Europa pela primeira vez com apenas R$ 50 no bolso e sem roupa apropriada para o frio do verão russo (que por vezes chega a temperaturas negativas na madrugada), Marcelo acabou ganhando do hotel que patrocinava o evento o uniforme para competir. A bicicleta que levou para a Rússia também não era apropriada, e a organização emprestou o equipamento para que ele chegasse até o final.

 

Em sua segunda participação na prova, conseguiu no Brasil uma bicicleta emprestada e, depois de catar latinhas na rua, trabalhar na ciclofaixa e como bike courrier, com a ajuda de amigos e familiares pôde levar uma amiga para ajudar no apoio durante a corrida.

 

Agora, nesta terceira participação, contou com o apoio de bicicletarias, que emprestaram bicicletas para ele competir, além, dos amigos e familiares, que fizeram vaquinha e rifa para que a viagem fosse possível.

 

O amor pela bicicleta

 

Quando criança, “Mixirica” (apelido dado a ele pela turma da bike porque levava mexericas no bolso para se alimentar durante as provas) fugia de casa para andar no Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista. Aos 13 anos, desceu a Serra do Mar com destino a Santos e viu que o esporte poderia mudar sua vida. Logo tomou gosto pelas longas distâncias, suas aventuras ficaram mais longas e tinha como destino outros estados, como Rio de Janeiro e Santa Catarina.

 

Seu sonho é participar da Race Across America, uma competição que atravessa os Estados Unidos da costa oeste à costa leste, mas, antes que conseguisse o dinheiro necessário para esta prova, surgiu a competição na Rússia. Os organizadores ficaram sabendo que, em 2015, ele havia batido o recorde de travessia entre o Monte Caburaí até o Chuí. Foram 10.332km percorridos em 57 dias - 22 dias a menos que o antigo recorde -, e então surgiu o convite para o seleto grupo de ultraciclistas que disputariam a competição russa em 2016.

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